segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Visita inesperada
O delegado entrou na sala. Eu estava visivelmente nervoso com a situação. Afinal de contas, não é todo dia que um cadáver “brota” da soleira da porta. O delegado, sisudo e concentrado, começou o interrogatório:
— Boa tarde, senhor. Nome completo?
— Leandro da Silva
— RG?
— Trinta e cinco, zero zero zero, sete oito meia, dígito um.
— Endereço?
— Rua das goiabeiras, número trinta e seis, apartamento cinquenta e um.
— Muito bem, senhor Leandro. Me conte o que aconteceu essa manhã.
— Bom, eu acordei às 7 horas, como todos os dias, para ir ao trabalho. Me levantei, fui ao banheiro e, enquanto estava escovando os dentes a campainha tocou...
— O senhor costuma receber visitas nesse horário?
— Não, por isso achei estranho. Ninguém me interfonou antes de tocarem a campainha.
— Havia mais alguém na casa além do senhor?
— Não, moro sozinho.
— E o senhor foi atender à porta imediatamente?
— Sim. Me sequei e fui atender a porta. Olhei pelo olho mágico e não havia ninguém. Para confirmar, abri a porta e encontrei um corpo caído no chão.
— O senhor notou algo estranho quando abriu a porta? Alguma porta entreaberta, algum barulho?
— Ouvi um barulho de porta batendo, mas não tenho certeza se foi no mesmo andar.
— E como estava o corpo?
— Estava sentado na soleira da porta e, quando abri, ele caiu para dentro do apartamento. Achei que era alguém desmaiado, mas quando me aproximei, percebi que o corpo estava rígido e já estava até frio.
— E o que o senhor fez em seguida?
— Corri para o telefone e liguei para a polícia.
— O senhor conhecia o homem em questão?
— Não, nunca vi esse homem antes.
O delegado então abriu e me mostrou um papel que dizia: “O fim está próximo”, junto a um símbolo desconhecido.
—O senhor conhece esse símbolo?
—Nunca vi, senhor.
—Essa mensagem estava tatuada no peito do homem que você encontrou. É uma tatuagem recente, provavelmente feita próxima da hora da morte. Precisamos descobrir por que esse cadáver foi deixado em sua porta, Leandro. Enquanto isso, você fica sob proteção da polícia.
Gelei. O que poderia ser? Nunca tinha me envolvido com nada obscuro. O que será que aquele símbolo representava? Fui aos poucos sendo tomado de pânico, mas precisava me controlar. O que, afinal de contas, queriam comigo?
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